
O capitalismo é a essência do mal. Quantas vezes você já ouviu esta frase? Se o capitalismo é ruim, o socialismo deveria ser bom. Mas porque os cubanos arriscam suas vidas em barcos improvisados, tentando fugir de Cuba? Por uma simples razão: A vida fora de Cuba é melhor.
Eu poderia discorrer horas sobre a superioridade do capitalismo sobre o socialismo, mas estaria fugindo da resenha do livro, por isso, vamos a ela:
Hernando de Soto é peruano, e foi reconhecido como um dos 12 mais influentes economistas da história ao lado de Adam Smith, Karl Marx, Peter Drucker, Friedrich Von Hayek e Milton Friedman. Atualmente preside o ILD (Institute for Liberty and Democracy) com sede em Lima.
Nascido em um país de terceiro mundo, o autor se debruçou na tentativa de decifrar um mistério: Por que o capitalismo dá certo nos países desenvolvidos e fracassa no resto do mundo?
Partindo da premissa de que a melhor maneira de ser bem sucedido é observar aqueles que se deram bem, o autor busca compreender os acertos dos Estados Unidos e países da Europa.
Surpreendente é o fato de que os cientistas econômicos norte-americanos e europeus não faziam idéia da razão original da riqueza dos seus países. Mas o autor descobre claros paralelos entre os Estados Unidos de um século atrás e a atualidade dos países de terceiro mundo.
Em 1783 o presidente George Washington queixava-se de “bandidos (…) coando e dispondo da nata do país em prejuízo de muitos” Estes “bandidos” eram colonos e pequenos empresários ilegais ocupando terras que não lhes pertenciam. Durante cem anos tais homens lutaram por direitos legais às terras e mineradores reivindicavam concessões porque as leis de direitos de propriedade variavam de cidade a cidade e acampamento a acampamento. O juiz da Suprema Corte Joseph Story se perguntava em 1820, se os advogados algum dia conseguiriam resolver o caso.
Ocupação ilegal de terras, e flagrante desrespeito à lei soam familiar? Na verdade, o resto do mundo se parece muito aos EUA de um século atrás.
Ao longo de 308 páginas o autor tenta (e consegue) entender a verdadeira natureza do capital. Reforça a idéia de que a riqueza de um país é medida pela soma das riquezas legais de seus habitantes, e que se pode produzir imensos volumes de capital simplesmente legalizando as propriedades dos extra-legais. “Dar vida a capital morto” segundo ele. O ponto central da teoria do autor é que a informalidade condena os pobres à eterna pobreza.
No site do ILD, há um pequeno resumo das teorias do autor. Em uma tradução livre:
Muitos sistemas legais excluem pessoas comuns das instituições que deveriam apoiá-las. Forçadas a operar fora das regras da lei, elas não têm identidade, propriedades ou negócios legais - e por consequência, não conseguem crédito, capital e condições para prosperar.
Para realizar seus negócios, empreendedores pobres criam uma economia paralela com regras próprias e repletas de falhas que produz mais pobreza além de frustrações e inquietude social.
Um exemplo: Se as autoridades conseguissem permitir que os camelôs moradores de favelas, pudessem registrar os barracos em que moram e seus comércios informais sem pagar impostos ou pagando um valor simbólico eles passariam a ser ‘legais’, poderiam comprovar renda e residência e teriam a acesso a financiamentos nos quais poderiam dar como garantia suas pequenas posses e poder melhorar de vida.
E de quebra a riqueza do país sofreria um incremendo considerável (US$ 10 trilhões em todo o mundo, em 1999, segundo o livro). Mas, ao contrário, nosso governantes dificultam o processo de legalização, com burocracia excessiva e impostos sobre transferência de bem imobilários.
Um sistema legal que encoraja algumas pessoas a quebrar a lei e condena outras a sofrer suas consequências inevitavelmente irá perder o prestígio de ambos os eleitorados.
Dono de notável inteligência, autor foi assessor econômico de presidentes de diversos países, entre eles Alberto Fujimori, Ronald Reagan e Bill Clinton. É uma pena que o nosso presidente não saiba ler, o Brasil se beneficiaria grandemente das teorias deste livro.
Um brasileiro
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Comments 1
O artigo tudo bem, mas esse negócio das favelas quero crer que o combate à informalidade remete para a ocupação formal. a discussão sobre favelas é no sentido de diminuir seu numero, erradicar…
Resposta:
Olá José,
A inovação da teoria do Hernando de Soto, está justamente no fato de que ele defende que é impossível erradicar as favelas, por isso a atitude correta é a legalização das propriedades que a compõe, ele argumenta que quando um cidadão tem a posse de sua casa, ou pequeno negócio informal, ou extra-legal como ele chama, ele se torna mais responsável, e mais consciente da sua condição humana.
Enquanto as pessoas vivem na informalidade sem reconhecimento oficial, elas não têm muita razão para se manter na linha. Recentemente eu estava vendo fotos de vilarejos na europa, com suas casa no morro e ruelas caóticas, é interessante notar como estas vilas são charmosas, com calor humano.
Recomendo fortemente a leitura do livro, ele pode ser encontrado na biblioteca pública de Curitiba, ou talvez na sua cidade.
Posted 27 Sep 2007 at 12:56 ¶Post a Comment