Uma resposta ao jurista Hélio Bicudo pela sua defesa de Júlio Lancelotti
A DEFESA DO JURISTA:
“A respeito de recentes reportagens sobre a atuação de padre Júlio Lancellotti, informações são pinçadas aqui e ali para passar uma imagem equivocada do padre Júlio, quando, na verdade, o que ele fez foi tão-somente se exceder na sua bondade para ajudar ex-internos da Febem, os quais, além da ajuda, passaram a violentá-lo com ameaças, as mais variadas, tornando a sua vida, ao esgotarem-se os recursos que amealhara, difícil de ser vivida.
A partir desse momento, o padre Júlio pediu o auxílio do governador Geraldo Alckmin e levou suas queixas ao Ministério Público, que iniciou, há quase um ano, processo penal por crime de extorsão (art.158, do Código Penal) contra os responsáveis pelas violências sofridas pela sua vítima. Isso não foi nem sequer noticiado.
Os jornais estampam a notícia de que “a ONG Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto será submetida a uma investigação”, quando, em nota de esclarecimento da direção daquela ONG, resta claro que o padre Júlio -e aqui a insinuação- não tem acesso ao movimento financeiro da organização.
O padre Júlio é uma das figuras emblemáticas da defesa dos direitos humanos no Brasil. É assim conhecido também no exterior. Notícias que buscam o sensacionalismo e que, na verdade, concorrem para engrossar a campanha cotidiana contra os direitos humanos não servem à verdade e à democracia, mas concorrem para o aumento da violência no país.”HÉLIO BICUDO, presidente do Centro Santo Dias de Direitos Humanos e da Fundação Interamericana de Direitos Humanos
São Paulo, SP
VERDADEIRO DIREITO DE DEFESA:
Dr. Bicudo, ao contrário da sua ideologia, e a do Pe Julio, eu acredito na direito de defesa para o individuo. Assim o Julio Lancelotti é merecedor do benefício da dúvida nas acusações que pesam sobre a sua conduta moral. Ele só deixará de ser inocente quando e se houver provas em contrário. Enquanto isto qualquer incriminação sobre sua conduta, é errada e injusta, seria fazer o mesmo que o próprio Julio faz, quando é ele o acusador dos seus inimigos. Mas, e as altas somas em dinheiro que envolve o caso? Nesse ponto não há dúvidas. Foi o mesmo Lancelotti quem confirmou a existência da grana toda, ou parte dela.
EQUÍVOCO: “As informações são pinçadas aqui e ali para passar uma imagem equivocada…”
No mínimo o equivoco é seu. As pessoas que passaram as informações foram as próprias, envolvidas no caso. Hoje os acusados da extorsão estão em campo oposto ao do Julio Lancelotti, antes eram os seus protegidos (e que protegidos). Portanto, todos sardinhas da mesma lata.
EXCESSO: “…quando, na verdade, o que ele fez foi tão-somente se exceder na sua bondade para ajudar ex-internos da Febem, os quais, além da ajuda, passaram a violentá-lo com ameaças, as mais variadas, tornando a sua vida, ao esgotarem-se os recursos que amealhara, difícil de ser vivida”.
Exceder? Desde quando um trabalho social seria um excesso? O que não é o caso aqui. Em certa circunstância eu até poderia concordar com a sua afirmação. O Julio Lancelotti excedeu-se tentando mostrar uma imagem que não é a dele: um caritativo a serviço dos pobres. A verdade: ele é um defensor da doutrina de vocês. Os pobres? Apenas o cascalho espalhados pelo caminho, que vocês calcam, para alcançar os objetivos.
BONDADE: Bondade? E a serviço dos menores da Febem? Aqui um pequeno detalhe: a enorme soma de dinheiro envolvida.
ESGOTAR OS RECURSOS: “…os quais, além da ajuda, passaram a violentá-lo com ameaças, as mais variadas, tornando a sua vida, ao esgotarem-se os recursos que amealhara, difícil de ser vivida.”
Mas, a qual recursos o senhor se refere? Aos recursos morais? Aos recursos materiais? Se o senhor refere-se aos recursos materiais, explique como ele continuou pagando as altas somas por tanto tempo? São valores muito altos para qualquer pessoa normal. Afinal R$30.000,00 pagos a uma extorsão é realmente muita grana. E esgotaram-se em que momento? É premente que se estabeleça valor real da soma paga ao protegido. Afinal, foram R$30.000,00, R$50.000,00, R$100.000,00 ou mais?
ESCLARECIMENTOS: “Os jornais estampam a notícia de que “a ONG Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto será submetida a uma investigação”, quando, em nota de esclarecimento da direção daquela ONG, resta claro que o padre Júlio -e aqui a insinuação- não tem acesso ao movimento financeiro da organização”.
Dr. Bicudo. Aqueles que trabalham em instituições públicas e até mesmo em empresas privadas devem por obrigação moral, esclarecimentos sobre as suas atitudes, quando estas estão fora do contexto da normalidade. O Julio Lancelotti deve explicações sim. Ele deve explicações para a Igreja, àquela que ele usa como refugio, para o público e para aqueles que financiam as suas atividades, sejam elas quais forem. Se é que nesse último grupo, todos sejam merecedores de algum tipo de explicação.
PEDIDO DE AUXÍLIO: “A partir desse momento, o padre Júlio pediu o auxílio do governador Geraldo Alckmin e levou suas queixas ao Ministério Público, que iniciou, há quase um ano, processo penal por crime de extorsão (art.158, do Código Penal) contra os responsáveis pelas violências sofridas pela sua vítima. Isso não foi nem sequer noticiado”
Fiquei perplexo. A primeira reação de uma pessoa normal e inocente, seria tomar a sua própria defesa. Até o silêncio seria considerado como uma atitude defensiva. Mas não. As primeiras palavras do Julio Lancelotti foram de ataque a terceiros, numa sutil acusação ao governado do Geraldo Alckimin. “Pediu ajuda e não foi atendido”. Seria o estilo do Julio Lancelotti? A melhor defesa é o ataque? Porém, no que ajudaria o Lancelotti atacar um inimigo político que nada tem a ver com a encrenca que ele se meteu?
Seria uma atitude condicionada nos doutrinamentos partidários? “Acuse o inimigo, sempre, mesmo que ele seja inocente”. Está é uma tática da doutrina de vocês. É importante lembrar que o pedido de ajuda do petista Julio Lancelotti ao governo do Alkimin não passou de um apelo para que a polícia agisse “extra-oficialmente”. Na exatidão da palavra: que a policia executasse uma ação fora da lei, uma vez que o Julio Lancelotti recusou-se a formalizar uma queixa.
DIREITOS HUMANOS: “O padre Júlio é uma das figuras emblemáticas da defesa dos direitos humanos no Brasil”.
Quem disse que propiciar o acúmulo da pobreza é o mesmo que defender os “direitos humanos”? Contudo o que mais assombra é a defesa intransigente do padre Julio Lancelotti a um partido, o PT que se empenha na aprovação do aborto. Que padre é este? Direito humano para quem? O tal padre se proporia a canalizar as mesmas somas que pagou ao seu ex-protegido, para as campanhas pelo direito a vida e contra o aborto?
RECONHECIMENTO PESSOAL E O SABER: “É assim conhecido também no exterior”
Conhecido no exterior? E daí? Por quem? Quanto a mim, aos estrangeiros e a qualquer brasileiro, prefiro citar o Marechal Random, o Santos Dumont, o Dr Manoel Dias de Abreu, Machado de Assis, Carlos Gomes, o sargento Max Wolf, o marinheiro Marcilio Dias… Pessoas que deram mais valor ao saber e ao sacrifício do que ao reconhecimento pessoal.
DEMOCRACIA: “… Notícias que buscam o sensacionalismo e que, na verdade, concorrem para engrossar a campanha cotidiana contra os direitos humanos não servem à verdade e à democracia, mas concorrem para o aumento da violência no país.”
Dr. Bicudo, vocês não são exatamente a virtude da liberdade. Por que repentinamente faço uma ligação mental com crimes. A morte do Celso Daniel, por exemplo. As mesmas táticas no trato com a imprensa. Os desmentidos dos fatos, que por si só materializam o crime. Dinheiros que todos viram, mas que vocês afirmam não existir ou desdenham. Se o Julio é inocente ou culpado das acusações sobre a sua moral, nunca saberemos da verdade. “Não sei, não vi, é tudo mentira”. Vocês próprios se encarregaram de arquivar, acusar, denegrir, espionar, coagir, constranger, esconder, apagar, abafar…. É a genética de vocês. O silêncio será o último ato desta tragédia (ou comédia?)
Dr. Bicudo. O senhor já pensou em ingressar no PSDB? O seu sobrenome e o mascote do partido juntos, pelo menos, teriam alguma coerência.
Luiz Alberto Mezzomo
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